terça-feira, 16 de setembro de 2014

voce se foi



“Você se foi há um mês e eu só consegui escrever agora, é que eu me sinto pesada em relação a tudo, por que ainda te carrego em mim, como uma criança carrega uma manta velha e não se desfaz pelo apego que tem, mas uma hora ou outra, sabe que vai ter que se livrar daquilo. Só que eu não quero, ou pelo menos não queria, até começar a escrever. Cada linha corrente me faz sentir leve, livre. Talvez essa seja minha libertação, as palavras. Estas que tantas vezes me aprisionaram a você e fizeram o mesmo em relação a você e a mim. É inegável, eu sinto sua falta. Chega a ser perceptível, quem me olha nos olhos vê que falta um pedaço de mim, uma metade, que agora vaga por aí segurando a mão de outra (veja bem, meu bem, não me admira que tantas outras não tenham resistido aos seus encantos e você sucumbido ao desejo de possui-las), quando no entanto prometeu segurar a minha para nunca mais soltar. Eu nunca fui o suficiente, e nem imagino se um dia poderia ser, mas eu te amei tanto, querido, tanto, que chegava a me assustar. Ninguém no mundo queria outro alguém como eu queria você. Entretanto não se há mais nada a fazer, você recusou, recuou, bateu a porta e disse “adeus”, eu ainda te procurei, tentei mostrar o quão errado você estava mas não adiantou, você não mudou de posição e resolver seguir só. Doeu, ainda dói, mas não posso viver a tua espera eternamente, e quem sabe a gente não se encontra, não é? E queria eu que fosse breve, por que esse amor que você plantou ainda mora em mim, e hoje, eu queria te dizer “Foi um erro te deixar partir, você não pode - e nem deve - ser feliz sem mim.” Rimou, não é? Foi engraçadinho, mas na realidade é triste, por que uma vida sem você é viver sem cor. E eu, que no começo imaginava ser possível não te ter comigo, agora vejo que não passa de pura ilusão minha.”

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